14 January 2005

APOTEOSE

Levantou-se quase que caindo da cama. Tivera outro daqueles sonhos de queda. Mal abriu os olhos e já estava de pé, cambaleando ainda, uma tontura que lhe fez achar que estivesse de porre, mas ao sair do quarto se lembrou que não bebia. Seguiu para acordar no banheiro, sentou-se na privada. Demorou a cair a primeira gota e quando caiu foi só. Ficou por alguns minutos sentada ali com a cabeça pressionada contra a parede. Apoteose, não sabia o dia e não sabia as horas.

A vontade era de ficar ali, mas, o incomodo acento fizera sair de lá.Sem querer olhou-se no espelho. Não quis escovar os dentes, apenas lavou o rosto. Pensou em descer para a sala assistir TV ou entrar na net, mas decidiu que só iria pensar. Então, voltou para o quarto andando em linha reta e escolheu a roupa mais larga e mais velha possível. Se vestiu deitada na cama, imaginando que suas pernas estivessem paralisadas. A cama assim como as roupas estavam frias, os pés pediam meias e estas foram postas de uma só vez, pois os pés não podiam queixar-se da costura que ficara entre os dedos, separando-os e insultando-os. Vegetava.

Mas a voz grossa do pai lhe trouxera o milagre, a cura. Não vegetara mais e suas pernas se moviam. O pai lhe chamou para fazer a feira. Pode então logicar que se tratava da manhã de um sábado.