11 May 2008

Aos meus pés e minha mãe.

Minha mãe nunca me deixou brincar na rua e nem mesmo no quintal, eu entenderia se houvesse terra no quintal. Acho que ela queria exilar os vermes e a sujeira da vida da gente – sei lá. Deve haver outras boas intenções nisso, que eu ainda não descobri.

O quintal era cimento, cinza, queimado e pela topografia, permitia a fuga dos olhares de mãe vigilante e me deixava experimentar o delicioso sabor da clandestinidade. No quintal "proibido", eu só andava descalça. Arrastava o pé no cimento, com força, até doer. E me sentia uma retirante! A noite, eu olhava as pequenas feridinhas na sola dos pés e sorria enquanto pensava: - andei muito hoje! Eu, aventureira.

Hoje, tirei minhas botas e encontrei uma feridinha no meu pé. De fato andei bem mais do que andava em meu quintal, só que sabe, naquela época eu ia bem mais longe. Então, nesta data, devo parabéns aos meus pés e agradecimentos a minha mãe, pelas viagens que me pemitiram e permitem fazer.

Ao som de Coldplay - Trouble.