12 January 2009

Caixa de Entrada II - Estimado Antonio Celso

Poxa, perdeu-se o arquivo anexo...lembro-me que naquela época eu não conseguia escrever diretamente no computador e felizmente, devo ter um ORIGINAL E MANUALLLLL no meu quarto....to com preguiça de procurar, mas quando eu achar eu posto. Verdadeiro Mestre. Me deu muita dor de cabeça, me fez fazer o mesmo trabalho centenas de vezes e na última ainda chamou de LIXO. Além de ensinar a Planejar, ensinou nas entrelinhas a Perseverar, nunca Desistir. No fim do semestre, abandonou a FATEC e no meu ponto de vista foi de encontro ao que ensinou, por isto fiz a carta e por isto respondeu.
RES: Fatec-ZL‏

De: Consus - Duarte, Antonio
Enviada: quarta-feira, 21 de julho de 2004 12:54:38
Para: Fernanda

Olá Fernanda,
Fiquei muito emocionado ao ler o documento que você me enviou. O meu pensamento sobre educar reside em ensinar o caminho para as possibilidades, que em suma são livres e infinitas. Somente é livre quem écapaz de escolher as diferentes possibilidades (infelizmente alguns nãooptam) dentro do grande furacão chamado vida. A morte provavelmente é omaior dos medos por representar a total ausência de escolha. Entramos em umnovo milênio sob a égide do medo (de ser reprovado, de não conseguiremprego, de ser assaltado, de nova tecnologia, etc.) e paradoxalmente ahumanidade experimenta uma enorme quantidade de possibilidades (mudar derumo, de curso, de emprego, de segurança, de prevenção, de empregartecnologia, etc.). O meu temor é não ensinar o caminho para as possibilidades. Descobri que não atingi sucesso nessa empreitada, no curso de Logística Noturno, justamenteaquele mais privilegiado pelas possibilidades (alunos com maispossibilidades de horários para o trabalho, poder demonstrar tenacidade edeterminação, ter acesso a profissionais professores que buscam o turno danoite para ministrar conhecimento, etc.). Identifiquei também uma apatia dos alunos do noturno pela busca do conhecimento. Então, "pressionar" aqueles alunos a descobrir possibilidades, sem que uma pequena parte da turma demonstrasse interesse, me trouxe uma grande frustração, que acompanhada do medo, me fez refletir e deixar espaço para que outro professor possa, com competência, atingir essa meta de educar. Talvez a minha frustração tenha sido agravada, pelo meu apego pelo Curso de Logística, que tem a cara do desafio e das novas oportunidades, que omercado haverá de reconhecer, e ainda porque identifiquei nos alunos daFATEC ZONA LESTE uma invejável força de vontade para vencer. Quando por aqui cheguei há alguns semestres, imaginava que a minha tarefa seria muito árdua - ensinar caminhos para quem não estava na estrada. Enganei-me: foi muito fácil ensinar para os alunos com mais "pedras no caminho", que são aqueles que mais lutam e demonstram garra. Assim, passei a mistificar os alunos da Fatec ZL. Considerei-os alunos excelentes! De repente, descobri, que os meus métodos de "pressionar" estão em desacordo com a totalidade deescolhas da turma do noturno - o monopólio do "não trabalho". Então pensei:os alunos escolheram suas possibilidades. Como existe antagonismo com o meu modo de pensar e agir; Como reprovei muitos alunos a contragosto; Como identifiquei que muitos dos alunos reprovados deram-se por satisfeitosem serem reprovados (e não estouraram por faltas), porque terão apossibilidade de serem aprovados com entrega de simples e prováveismedíocres "trabalhinhos" - que é uma prática que me foi segredada pordiversos alunos; Como terei que administrar (um a um) os alunos reprovados, pois eles não são obrigados a assistirem aulas, para que possam ter a possibilidade de cumprirgrade curricular, e assim serem aprovados mais rapidamente; Como eu não tenho o estilo de cobrar "trabalhinhos", estarei ensinando aosalunos reprovados outros prováveis caminhos árduos de possibilidades, quepor sua vez deverão gerar controvérsias que tendem a agravar-se - constateiisso através de alunos que já haviam sido reprovados em semestre anterior enão tiveram a necessária responsabilidade de atender aos compromissos assumidos comigo; Como estou constatando uma máxima para continuar a ajudar "os coitadinhos" e dar mais uma chance e outras.E ainda diversos outros dissabores, difícil de explicar por palavras. Parafraseando o estimado Domenico de Masi, o ideal no ensino é a mistura depessoas realistas e fantasiosas, homens e mulheres, jovens e maduros, genteorganizada e outros indisciplinados, UNIDOS PELA MOTIVAÇÃO. Como essa mistura não está com a devida "liga", então me sinto incapaz para motivar. Eu desejo firmemente que você e os alunos que tenham o mesmo firme propósitode buscar oportunidades, continuem a trilhar a busca pelo conhecimento, querequer muito esforço e dedicação. O esforço é dado pelo trabalho árduo econstante. A dedicação é dada pelo gosto do que se faz. O conhecimento leva à capacidade para a competência. A competência somente será apreciada seservir a propósitos reais do útil e do significativo.
Meu forte e cordial abraço a você e a todos seus colegas que aprendi a admirar.
Saudações Universitárias
Antonio Celso Duarte
De: Fernanda
Enviada em: segunda-feira, 5 de julho de 2004 18:48
Assunto: Fatec-ZL
Olá...
Sou a Fernanda da Fatec zona leste (logística / tarde), estou enviando anexo uma carta que escrevi algumas horas após o workshop no dia 25/06, era para ter enviado no mesmo dia, mas tentei encontrar a resposta sozinha durante esta semana... não encontrei...
Abraços,
Fernanda

11 January 2009

Caixa de Entrada I - Estimado Jorge Veríssimo

Vasculhando e limpando a caixa de entrada de meu e-mail, encontrei uma porção de e-mails de ótima fase e com ótimos conteúdos....vou postando conforme eu achar e para memória.
Enviado: sábado, 21 de janeiro de 2006 9:15:54
De:Jorge
Para: Fernanda
Olá Fernanda,
Como vai, tudo bem com você? Pensei que fosse embora sem me mandar um e-mail. Felizmente isto não aconteceu.
Talvez não tenha tido a oportunidade de me conhecer direito. Tenho meu grau de exigência, seja quanto a qualidade seja quanto aos prazos estabelecidos quando conduzo um trabalho e/ou supervisiono o trabalho de quem esta sobre minha responsabilidade. Mas sempre procuro deixar as portas abertas para conversa, para que a pessoa possa expressar seus medos, fraquezas e anseios, para que juntos possamos chegar a um acordo e todos ficarem satisfeitos.
Se alguém deseja outro caminho diferente do meu, eu não vejo isto como insulto ou menosprezo. Cada pessoa tem seus desejos a seguir, seus objetivos de vida. Então, é natural que a pessoa vá seguir seu caminho. Só é importante uma conversa antes, ate para manter o companheirismo. Alias, este é o espírito da Jove. Companheirismo. Alem de obvio, trabalho, equipe, ética, determinação, persistência, perseverança, atitude, qualidade! Sempre que converso com a Elaine falo a ela que não estamos criando só uma empresa. Mas uma filosofia de empresa. Não sei se ela te fala, mas costumamos falar muito. Falar mesmo, não é por e-mail.
Você perguntou na parte:
"Quero saber: Eu devo?, eu posso? O que sugerem?, o que fariam? E o que acham disto."
Em primeiro lugar, não estou em posição de dar opiniões. Como sou parte interessada, pode-se depois dizer que houve um viés de minha parte. Se eu fosse só seu professor, uma parte neutra, eu com certeza iria te ponderar algumas coisas. Mas não sou! Portanto não é ético de minha parte. De qualquer forma você mesmo tem todas as variáveis, todos os dados em sua mão para decidir. Pondere cada um e retire o resultado. Isto já faz parte da sua fase de crescimento. De seu amadurecimento.
Eu particularmente acho que você já decidiu, senão vejamos duas frases suas:
"Então, minha confusão está ai será que terei capacidade e competência não para me esforçar, dedicar, mas para satisfazer toda essa expectativa nesta minha situação diferente?"
"O problema não está se JOVE ou “FATEC”, estou muito contente na JOVE, será que consigo desenvolver trabalhos tbm na FATEC, sem prejudica-los?"
Por estas duas frases e por você já ter acertado as coisas na Fatec, acredito que você já tem sua posição. Talvez não saiba como falar.
Você citou também que “maiores dificuldades estão também as maiores oportunidades, e que o caminho mais difícil geralmente é aquele com a melhor recompensa (de toda ordem), basta enfrentá-lo..". Você sabe que minha filosofia é esta. Tanto que quando me perguntou onde você devia publicar o artigo eu te falei que se você quisesse publicar comigo seria pelo caminho mais difícil... mais glorioso , porem mais difícil e talvez nem conseguisse. Mas eu não só falo, como sigo todo este conceito. Tanto que vim fazer um PhD aqui na Inglaterra. Muito mais difícil. Larguei minha vida no Brasil e a Fatec ,onde eu já estava efetivado, para vir. Poderia estar ganhando muito dinheiro ai e fazendo um doutorado ai no Brasil. Mas preferi este caminho que não está todo pavimentado. Que cada dia tenho que trabalhar e construí-lo. E quem está comigo saberá que o caminho que teremos que trilhar nem sempre será o mais cômodo. Porque eu tenho outra filosofia que complementa estas 2 que você disse. Attitude is a little thing that makes a big difference. Quer dizer, atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença. Esta frase eu vejo na empresa que estou fazendo trabalho de reformulação da cadeia de suprimentos aqui na Inglaterra. Alias só não te respondi antes este seu e-mail pq estive lá hoje ate parte da tarde.
Quem me conhece sabe que eu cobro de mim mesmo e dos outros não só palavras, mas atitudes. Porque isto sim conta. Por fim, quero enfatizar como você foi ótima para nos no ano passado. Você foi pontual em seus compromissos e dedicada. Meus sinceros agradecimentos por sua colaboração! Quero, como sempre desejei, muito sucesso a você qualquer que seja sua decisão.
Sinceramente,
Jorge
Enviado: sexta, 20 de janeiro de 2006 7:11:01
De: Fernanda
Para: Jorge

Olá Jorge,
Uma confusão danada que dificulta até para escrever, por este motivo preferi falar com a Elaine.
Sempre falamos sobre ter coisas concretas e ainda bem, eu já tenho uma coisa concreta, eu sei que quero aprender, quero conhecer (a teoria, a prática, a teoria e a prática, e vice e versa).
Estou experimentando hoje uma situação muito diferente de qualquer outra que já tive, cheia de gente (de todos os tipos e interesses), de novidades, nunca um encontro é como outro, é cheio de desafios, frio na barriga e medo, é também uma grande possibilidade de demonstrar e perceber tenacidade e determinação, ter acesso a profissionais e professores (profissionais/professores) que por motivações diferentes acabam acredito eu, trilhando a mesma busca pelo conhecimento e eu já pude sentir, requer muito esforço (trabalho árduo) e dedicação (gosto do que se faz).
Me disseram que nas maiores dificuldades estão também as maiores oportunidades, e que o caminho mais difícil geralmente é aquele com a melhor recompensa (de toda ordem), basta enfrentá-lo...rs. Mas e qdo o caminho mais difícil é escolher entre os caminhos difíceis e apaixonantes? rs Na minha “vida” (rs) sempre a escolha de um implicou na renuncia de outro, pq requer sempre esforço e dedicação, sempre dei o máximo disto, nunca dividi isto e mesmo assim nunca estive satisfeita com o que fiz.
A Elaine me disse hoje que o bom profissional não se dá só por conceito...precisa da experiência, da prática. Então, minha confusão está ai será que terei capacidade e competência não para me esforçar, dedicar, mas para satisfazer toda essa expectativa nesta minha situação diferente?
O problema não está se JOVE ou “FATEC”, estou muito contente na JOVE, será que consigo desenvolver trabalhos tbm na FATEC, sem prejudica-los?
Querem uma definição (eu tbm): Estou disposta a tentar e com muito afinco conseguir. Quero saber: Eu devo?, eu posso? O que sugerem?, o que fariam? E o que acham disto.
Sinceramente confusa, mas sempre com a intenção de contribuir,
Fernanda