Há tempos não escrevo, verdade é que passei este tempo pensando em outros assuntos que me tornam (ou me fazem perceber) subjetiva e penso, talvez seja este meu “objetivo”.
Fui pescar com meu pai. Saímos de casa no início da tarde, logo após um início de discussão. Entramos no carro e desfrutamos do “silêncio mútuo”, ele dirigia e vez ou outra perguntava algo como: Pegou a blusa?...eu respondia e logo me calava.... Eu, entretida em minhas questões. Ele, em meu silêncio. Ao fundo, Caetano tocava e seu CD rodou por umas duas vezes, pois nós não prestávamos atenção na letra, nos carros ou pessoas ao redor. Eu em mim, ele em mim. Sim, egocêntrico.
Boa parte do caminho lembrei dos tempos passados, as diferenças, motivos e causas que nos levaram ao presente. Não fosse estes três últimos estaríamos Pai, Mãe e Filhos.
Chegando à estrada de terra, duas borboletas amarelas dançavam junto à poeira e par
eciam fazer exibições. Quis ser uma borboleta. Ainda nesta estrada, beiramos a represa e como de costume paramos para vê-la e criticar o nível em que estava. Já não era mais uma represa, e da próxima vez em que passarmos por lá, se pararmos, iremos olhar para ela tristes e inúteis como de fato sempre estivemos, quando por ali ficávamos.
Chegamos ao pesqueiro e não entramos, estava fechado. Faliu. Falamos então sobre empreendedorismo, muito breve. Notei a placa de um pesqueiro vizinho (a placa sempre esteve lá): Sob nova direção... Os novos donos nem tiram...rs...e a placa permanece atualizada..rs.
Ele decidiu buscar outro pesqueiro. Eu, queria ir para casa mas, também queria “pescá-lo” portanto, concordei. No caminho de volta, na estrada de terra, ele atropelou uma borboleta amarela. Não consigo pensar no que senti. Inicialmente dó, mas depois dei risada pois, me lembrei de Brás Cubas: “Também por que diabos não era ela azul?”....e a outra borboleta amarela, a companheira, como estaria agora?....Por que as borboletas só “andam” com borboletas da mesma cor?...as borboletas são preconceituosas...rs.
Encontramos outro pesqueiro e por lá ficamos até bem tarde.
Voltamos sem peixe, ouvindo Caetano, verificando a potência do motor e eu ainda, pensando em minha subjetividade. Decidi minimizá-la esta noite. Quero abraçar a minha mãe, pensei.
No fim do dia, assisti ao filme :Um sonho de liberdade do Stephen King. Dividia o sofá com minha irmã e pouco antes do filme acabar, dispensei a presença dela. Preferi o sofá inteiro a tê-la. Ela subiu para o quarto emburrada e então fiquei pensando no fato. Confortei-me no sofá e me senti só.
P.S. O sonho de consumo da nova emprega é uma televisão. Ela não tem dentes e não sabe ler.
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