O NÓ DA FAIXA

Num dia destes encontrei em meu quarto duas de minhas faixas. Eu guardei a minha primeira e a última (sem muito zelo, estavam soltas e uma gaveta que nunca uso). Gostei de encontrá-las. Me fez lembrar dos treinos, do suor, do derrubar, do cair, da dor, do levantar e do prazer.
Em treinos dava mais prazer levantar que derrubar, era mais gostoso dormir após treinos difíceis e sofridos que após competições bem sucedidas. Não que eu gostasse de perder ou não gostasse de ganhar (sem hipocresias: eu odeio perder só que tem outro ponto de vista que torna mais glorioso o cair e o levantar que o derrubar), é que quando eu caia eu havia tropeçado e tropeçaria em mim mesma para levantar . O oponente é mero coadjuvante.
Entre jogar fora as faixas e matê-las como estavam soltas na gaveta, resolvi mantê-las mas agora com respeito, com o nó (rs). Ao dar um nó em um das faixas notei como ela ainda estava durinha. Então, lembrei dos comentários e "queixas" no treino quando mudavamos de faixa, pois a faixa nova é sempre mais dura, difícil de dobrar, e toda hora o nó solta …
Isto me fez refletir sobre algumas realidades bem interessantes, sobre quando temos uma faixa nova, tudo é novo ! ( é claro não é mesmo rs…)
As coisas novas são tão importantes, que se tornam muitas vezes inflexíveis, difíceis de dobrar , por serem importantes possuem sua forma própria … A medida que o tempo vai passando o nó aperta mais fácil, se molda em nossa forma, prende mais em nossa cintura, participa mais de nossa vida … Mas o engraçado é quando a faixa se torna bem flexível e já possui a nossa forma, ai nesta hora somos desafiados a mudar, e ganhamos outra faixa. Sabe, uma constante adaptação.





